quarta-feira, 25 de junho de 2014

IMPLICAÇÕES DO ENVELHECIMENTO E SEDENTARISMO NO FUNCIONAMENTO DA COLUNA VERTEBRAL


_________________________________________________________________________
Por Renã Leite Pontes*  

Não faz muito tempo que nas comunidades as pessoas caminhavam para ir trabalhar, a maioria das atividades no trabalho - e até no lazer - estavam, de alguma maneira, relacionadas ao esforço físico. Com a popularização do automóvel, do telefone e da tecnologia no trabalho, o uso do corpo nas atividades humanas foi suprimido de tal maneira que, nos dias atuais, até as crianças tiveram sua participação reduzida no universo dos jogos lúdicos e brincadeiras populares, para dedicarem-se a outras atividades, principalmente àquelas relacionadas à preparação para as futuras exigências do mercado de trabalho.
No mundo atual, o dever de buscar os meios adequados para se obter saúde e qualidade de vida foi sendo transferido, gradativamente, do estado ao cidadão. Em meio a este verdadeiro “mexa-se quem puder”, tornamo-nos vítimas das limitações espaciais urbanas e do sedentarismo. Este último, um mal silencioso (agravável pelo fator idade), que desencadeia em todos os sistemas e funções do organismo as doenças chamadas ‘hipocinéticas’, sendo a doença da coluna vertebral e costas a líder absoluta do ranking das causas de afastamento do trabalho, perfazendo, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social, um total de quase 180 mil licenças anuais.

Geralmente, as queixas dolorosas da coluna mais relacionadas à atrofia muscular por inatividade, respondem positivamente a um programa racional de exercícios físicos indicados por profissional, principalmente, quando o praticante consegue aderir a novos hábitos posturais e alimentares e insere na sua rotina de exercícios, um programa de fortalecimento muscular específico, associado ao alongamento.
Realmente, é na sua versão preventiva, que a atividade física orientada converte-se em importante fator de proteção da coluna vertebral, uma vez que fortalece os músculos oblíquos e reto do abdômen, a musculatura paravertebral, dorsal e os músculos que compõem o assoalho pélvico - esses últimos, estruturas importantíssimas para a proteção da coluna e dos discos intervertebrais. É precisamente no disco intervertebral que ocorre a protusão discal e a hérnia de disco, mais comumente na região lombar.
Destaque-se, ainda que, embora nem todas as vértebras sejam separadas por disco, na região lombar, cada vértebra possui, o seu respectivo disco intervertebral - estrutura constituída de um núcleo pulposo e um anel fibroso.  Fazendo analogia a um ovo frito, o núcleo pulposo seria a gema do ovo (região central) e a clara do ovo, (a região periférica) que retém o núcleo pulposo, seria o anel fibroso.   
Quando um quadro doloroso é desencadeado a partir da realização de movimentos simples, como por exemplo, se vergar para frente, espirrar, agachar-se, caminhar ou permanecer sentado por algum tempo, em tese, o espasmo doloroso indica um histórico de lesão em algum ponto do sistema mio-ósteo-tendino-ligamentar-articular. Em havendo investigação médica, se o exame específico (ressonância magnética ou tomografia computadorizada) solicitado pelo ortopedista ou neurologista constatar que a “clara do ovo” (anel fibroso externo) sofreu fissura ou deformação, por não conseguir reter ou suportar o núcleo pulposo, algo semelhante a uma deformação ou “bucho” de pneu, neste caso, estará constatada - com maior ou menor gravidade - a protusão discal.
A protusão discal é um quadro geralmente doloroso porque a região periférica do anel fibroso é inervada pelos ramos dos nervos sinovertebral e vertebral, justamente para deflagrar um sinal do perigo (dor) de agravamento que acompanha a protusão discal, se não houver tratamento adequado com repouso da articulação.
Já a hérnia de disco é um quadro clínico mais grave - desencadeado, na maioria dos casos, por uma protusão prévia - porque envolve a ruptura total do anel fibroso (clara do ovo) com expulsão ou extrusão do núcleo pulposo do disco envolvido. Alguns profissionais médicos denominam esses casos mais graves de “hérnia de disco com segmento extruso”.
Mas, independentemente de terminologias, a hérnia discal extrusa é um estágio mais avançado e infeliz de degeneração da coluna vertebral, porque compromete outras estruturas nervosas, causa estreitamento do canal medular (estenose), deflagrando um quadro de espasmo muscular dolorosíssimo e incapacitante, podendo - nos casos mais graves - comprometer ou impossibilitar a postura bípede e a marcha, inclusive, assumir uma natureza gravíssima, se desencadear a “síndrome da cauda equina” - uma emergência médica caracterizada pelos sintomas de dor aguda na coluna lombar acompanhada de incontinência urinária, fecal e sentimento de anestesia na área interna das coxas.
É importante ressaltar que outras patologias podem provocar sintomas parecidos com os da hérnia de disco: cálculos renais, tumores e suas metástases, problemas vasculares, osteoporose, aneurismas, entre outras. Por isso, é importante procurar socorro médico especializado para a realização de um exame clínico detalhado até chegar-se a um diagnóstico preciso. Na larga maioria dos casos o tratamento é relativamente simples: repouso, analgésicos e anti-inflamatórios costumam ser eficazes na reversão de quadros incipientes, até o paciente ser encaminhado à fisioterapia para recuperar a funcionalidade dos movimentos corporais e eliminar a dor.
Se houver outra indicação, visando o bem-estar do paciente, o profissional médico
poderá fazer uso de um amplo espectro de recursos como a rizotomia química (infiltração de corticoide na coluna), cirurgia minimamente invasiva e, se a gravidade do caso exigir, indicar a artrodese (cirurgia com fixação de parafusos).
O hábito de realizar atividades físicas e cuidar da coluna deve ser estimulado na vida das pessoas, pois a coluna vertebral por ser um eixo que se conecta com as estruturas ósseas e articulares dos membros, necessita da perfeita sintonia com seus ligamentos e músculos para realizar movimentos amplos e sem dor. Ter uma vida saudável depende muito da saúde da coluna vertebral. Nunca é tarde para ter mais qualidade e bem-estar na vida, portanto, mexa-se!
------------
Renã Leite Pontes – Escritor e poeta; Membro Vitalício da International Writers end Artists Association - IWA, Toledo, Ohio, USA; Membro Honorário do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais - IMBRASCI, RJ; Membro Fundador da Academia dos Poetas Acreanos; Professor de Educação Física, no Acre.





segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

NOVELA RENÃ – CAP. XIV


NOVELA RENÃ –CAP. XIV



XXXXXXX

O jantar transcorria alegremente com a presença de importantes artistas locais. O próprio governador do Rio de janeiro estava presente com a família, acompanhado de  alguns secretários de estado, posto que o Dr. Farias– na mais recente eleição -  fora seu maior colaborador em matéria de “doação de campanha”.

Todos comiam e bebiam no restaurante do Navio Soberano II, da Fábrica de Sardinhas, quando o anfitrião pôs-se em pé e pediu a palavra:

- Bem, senhor Governador e distinta família, amigos, meus gerentes, autoridades em geral, demais convidados. O objetivo deste “almoço isento de formalidades” e importantíssimo para a gestão das nossas empresas,  o motivo pelo qual lhes chamei aqui é para comunicar-lhes o meu afastamento imediato da linha de frente da gerência das minhas empresas na América do Norte, no Brasil e na Europa, desde o Porto espanhol de Sanlúcar de Barrameda até a Bahia de Guanabara , no Brasil....  e dizer-lhes que meu assessor especial, o senhor Armando César, será meu substituto de hoje em diante. 

Reinava o silêncio. A voz do anfitrião em chefe encheu o ambiente da luxuosa embarcação:

- César, levante-se para que os presentes possam  conhecer o  novo diretor!

O empregado obedeceu e levantou-se, afastando a cadeira de si, sem contudo empurrá-la e permaneceu em pé, em silêncio.

- Ao nosso novo diretor eu dedico este jantar – continuou o chefe.

Sheila – a moça do incidente no Meridien Hotel, engoliu à seco.

- A contar desta data – continuou o Dr. Farias -  não mais comparecerei aos meus escritórios pessoais. Qualquer assunto que queiram tratar comigo, o interessado deverá reportar-se ao meu secretário pessoal. As atribuições de nomear e demitir, de agora em diante, também, repousarão sobre os ombros dele. Gostaria que vocês colaborassem com ele assim como sempre colaboraram comigo para a saúde do nosso grupo empresarial.

Os presentes permaneceram em silêncio, enquanto Sheila alternava não conseguia parar de olhar para Armando. Mais uma vez, a presença daquele rapaz e as circunstâncias lhe causava incômodo. Que relação teria este evento com aquele acontecido no Meridien? - refletia a moça.

- Uma salva de palmas para o meu novo assessor – exclamou o anfitrião.

À fala do chefe, soou uma saraivada de encontros de mãos. Terminadas as palmas, o novo chefe fez pronunciar algumas simples e poucas palavras:

- Farei o que estiver ao meu alcance para servir-lhes e não decepcionar ninguém. Obrigado a todos, obrigado Dr. Farias  pela confiança. E olhando fixamente para Sheila – acomodada entre seus pais – finalizou:

- Estou muito feliz com a sua presença, senhorita. Ato seguido, sentou-se.

Ninguém sabe por conta de quem, depois da animação do vinho, o pai de Sheila, Dr. Roberto Baldoqui, começou a contar piada. A esta altura, após o prato principal, os convidados já estavam bem servidos da melhor comida e igualmente animados, a custa do vinho. Foi aí que a Profa. Baldoqui, escritora e historiadora,  resolveu abordar o assunto das profecias Maias, do Apocalipse e do fim do Mundo. Pesquisadora e conhecedora do assunto, comentou a respeito da profecia maia que vaticina o fim do Mundo para o período de vinte e um a vinte e quatro de abril de dois mil e dezesseis.

- Esta é a interpretação que encontra maior abrigo pela maioria dos teóricos – concluiu a mulher.

Intencionando quebrar o peso do “clima” da troca de chefias e querendo “entrosar”  o novo chefe com seus subordinados, o Dr. Farias  dirige-se a ao novo gerente geral, que até o momento apenas ouvia atentamente as falas dos presentes:

- E o nosso novo chefe, não tem medo do fim do mundo, sendo ainda jovem?

- Não senhor, ao contrário, o comentário da senhora, o que fez, foi recordar-me de uma piada ocorrida há tempo, em uma vila portuguesa, envolvendo uma senhorita e um cidadão  na boa idade.

- O senhor teria a bondade de nos contar a tal piada? – solicitou uma das damas presentes.

- Claro, com prazer – respondeu educadamente César Armando, já iniciando a história.

- Bem, ocorreu que com a gripe do porco, houve uma vila no interior de Portugal, conforme já falei, onde começou a morrer tudo que era de velhinho. Havia por  lá uma certa enfermeira viúva que cuidava dos doentes. Um dia apareceu no hospital da aldeia um velhinho gripado, desse que se tem de moer batatas para ele engolir.

O homem possuía dinheiro no banco, muitas propriedades, bens e haveres, contudo era sozinho no mundo. Acostumado ao conforto, o velhote requisitou a citada enfermeira que lhe atendesse no domicílio de uma elegante mansão, sob pródiga compensação financeira. No interior da mansão do ancião, ao ver a mobília, os carros, as obras de arte valiosas, a fina prataria... Partindo do pressuposto de que o cristão não tinha por vivo, parente ou aderente, um plano malvado começou a engendrar-se na cabeça da enfermeira...

À noite, em casa, durante o jantar, a profissional de saúde questiona a única filha:

- Filha, você não pensa em fazer seu futuro, já que seu pai não nos deixou herdade para suprir nossas necessidades futuras? Porque – na vida de uma pessoa - o cavalo selado só passa uma vez!

Dado o preâmbulo, a moça correspondeu com singular interesse, querendo inteirar-se do assunto, porque também era igualmente cobiçosa.

- Então, filha, há um velhinho na aldeia, que atendo em domicílio, rico rico e viúvo, sem filhos ou parentes. Está morre e não morre. Por que você não casa com ele para herdar-lhe os haveres? Um velhinho daquele é facílimo de conquistar por uma moça bonita como você. O coitado, acho que já não consegue sequer pensar em sexo. Vai ser um casamento só de paciência,  aparências e lucro para nós duas. A questão é casar e esperar o velhinho morrer com paciência porque – onde estará um velhinho daquele daqui a cinco anos?

A moça assentiu e deslancharam o plano.

No outro dia, durante a visita de rotina domiciliar, a enfermeira mostrou-se demasiado simpática e convidou o paciente para “cenar” em sua casa. O homem ponderou um pouco por causa – segundo o próprio - da dificuldade que tinha de locomover-se, mas depois animou-se e concordou cabalmente.

- Como não, como não minha senhora!

Durante o jantar, a moça da casa começou a dar mostras de cuidados e simpatia para com o velhote.

- Segundo a mãe, a moça era do tipo que dizia que gostava de homem maduro -

Durante o almoço, a senhorita afagava, sorria e servia o prato do convidado. A anfitriã, quando percebeu que o homem estava mais “vidrado” na moça que na “sopinha”, resolveu desembaralhar o plano:

- Minha filha! Você parece que não sei, que está demonstrando muito interesse pelo meu amigo. E “a” e “mais” e “mas o que está acontecendo”?

- Sabe, mãe – respondeu a moça, meio trêmula e com ares de timidez – desde que este simpático cavalheiro entrou na nossa casa, meu coração disparou. Estava aqui parada e uma voz me falou baixinho na minha consciência que este nobre senhor é a minha alma gêmea separada e perdida de mim desde que pecamos e Deus nos expulsou do Éden.

- ato seguido a moça caiu em triste e copioso pranto com lágrimas de crocodilo -

Ante a inusitada ideia, o velho foi se animando, foi se agradando da moça, de modo tal, que foi se inchando tanto que o episódio até lembrava aquela famosa historia espanhola, o caso da  “Fábula da Rana Rupta”.

A mentora do malíssimo plano pecuniário, reconhecendo a firmeza do terreno, prosseguiu com o estratagema:

- E o senhor, que achou da minha joia rara?

- É um tesouro! É cheirosa! Acho que daria uma excelente esposa porque é atenciosa, sensível e bonita por demais!

- Então, por que o senhor não casa com a minha menina para alegrar os seus dias? Eu tenho esta única filha, moça excelente, e tenho medo de morrer e deixá-la desamparada. Ai! A mulher começou a chorar, numa encenação surda, capaz de arrebatar a estátua do “Oscar” das mãos da atriz norte-americana Marlee Matlin.

- Como não, como não! – respondeu afirmativamente o homem.

E deu-se o casamento. Na noite de núpcias, a esposa sofreu amarguras nas mãos, quer dizer n... do ancião. O casal já se amava havia pouco mais de três horas... até que o homem deu por encerrado o ato.

Quando o ancião soltou a jovem, a mulher questionou:

- homem, mas que coisa!

Entendendo que a esposa havia reclamado do fraco desempenho o cidadão respondeu - Desculpe mulher, - mas ocorre que hoje não me sinto bem disposto, porque tive um dia cheio e você também.

A recém-casada tremeu-se toda.

César Armando calou-se fazendo uma pausa para o "drink", já que os presentes riam descontroladamente.

 Muito bem, vamos parar de rir e continuar com a  história - reclamou um cavalheiro

Sim, claro – exclamou Armando continuando a história:

- Bem, ocorre que o matrimônio deu vida nova e energia ao noivo. No outro dia os “pombinhos” viajaram em lua de mel para a cidade de Angra dos Reis, no Brasil.

Sob o sol de Angra, muito animados em um agradável resort, desta vez a relação dos nubentes já ia para mais de quatro horas, quando a esposa alarmada, gritou:

- Socorro, descansa homem, para marido, me matas, me matas...

Ainda um pouco insatisfeito, o homem largou a mulher e foi para a varanda. Transcorrido um pequeno espaço de tempo, a mulher escuta um barulho:

Tum, tum, tum, tum...

Assustada, pensando que eram ladrões, a mulher põe-se de espia e - finalmente - vê o marido batendo com o osso da canela na borda de cimento de um vaso de planta ornamental. A pobrezinha pergunta:

- Mas, homem, para que isto?

É quando, então, o marido responde:

- É para acalmar o feldspato!

- E que diabos é feldspato, marido, oras? – pergunta a esposa angustiada

É o nome do meu... - responde o homem “subindo pelas paredes”.

- Isto eu sei – retrucou a esposa -  queria era saber o que significa a palavra feldspato.

- Feldspato, respondeu, por fim, o homem - é o nome da rocha utilizada na construção das pirâmides do Egito...

Neste instante, os ocupantes da mesa desataram em riso: o óculos de um oficial médico, com oito  graus de miopia, espatifou-se no piso. O comandante da embarcação deu com a mão na beira do próprio prato e ficou coberto de mariscos. A esposa do gerente da Fábrica de sardinha da Região dos Lagos, ficou com o rosto em brasa, porque engasgou-se com a bebida e engoliu uma pedra de gelo.

Passado o riso, Dr. Farias fez uso de um branquíssimo guardanapo de algodão para refazer sua toalete e as mulheres puxaram seus espelhos para retocar a maquiagem. Voltou o silêncio acompanhado do  constrangimento geral.

Depois do silêncio, foi Sheila que se recompôs e tomou a palavra para “quebrar o gelo” e alimentar a conversa:

- Mas, senhor César, após ouvir a sua maravilhosa narrativa, não percebi a relação existente entre a mesma e o assunto que a motivou: o fim do mundo.

- César continuou impassível:

- Bem, senhorita. É que dei uma pausa para os risos... E continuou:

Por aquelas alturas dos acontecimentos inesperados e infindáveis, a coitadinha da mulher já havia compreendido que estava condenada a morrer antes do marido e ficou “maquinando” mil maneiras de se livrar do marido:

- De matá-lo não tinha coragem, porque não matava nem formigas; esperar pela morte dele? Haja vista a vitalidade demonstrada, sabia que ia morrer antes dele. ai meu Deus. Foi justo aí que a mulher lembrou-se do fim do Mundo, o Apocalipse e as profecias maias. Crendo seguramente que o marido só iria morrer quando o mundo acabasse, a pobre ficou fazendo as contas e, por fim, dirigiu-se ao próprio objeto da sua aflição:

- Marido! Você já ouviu falar nas profecias maias, que o mundo vai acabar em dois mil e dezesseis?

O homem, aos costumes, respondeu:

- Como não mulher, como não!

- Marido! – nesta hora a mulher falou tremendo porque lembrou-se de sua querida mãezinha -

- Hum!!!

- Se o Mundo se acabar mesmo em dois mil e dezesseis, de tudo o que há no mundo, o que você acha que poderá resistir ao fogo do Apocalipse?

- O homem pensou um pouco e, então, com um ar de solenidade, respondeu firmemente:

- Mulher, se o mundo se acabar com fogo em dois mil e dezesseis, o fogo acabará com todas as coisas da terra. Quando o fogo do apocalipse se apagar, a única coisa que poderá resistir será o feldspato.

Novamente, os ocupantes da mesa desataram em riso convulsivo. Uma senhora distinta, que até agora tinha se mostrado uma espécie exemplar em matéria de comportamento, se engasgou com um marisco, vertendo na sala o conteúdo da boca; um alto funcionário do Consulado Geral da Espanha no Rio de Janeiro, afastou abruptamente a cadeira da mesa de refeições, enquanto assumia a posição fetal, abraçando o ventre entre cólicas de riso; um renomado jurisconsulto carioca, homem de excepcional autoridade conceitual em matéria de Direito Criminal,- na tentativa de recobrar as maneiras,- empurrou a esposa, rasgando-lhe o  vestido longo de um ombro só, de chifon  e seda,  bordado com pedrarias e fios de ouro Marlene Blangê:

- Perdão, querida! Perdão!

- Já chega, homem! Nos mata! Nos mata! – exclamou o anfitrião – vamos chamar os serviçais e depois a orquestra. Quero que todos dancem, quero que todos saiam daqui contentes.

Às palavras do chefe, César Armando permanecia sentado e imperturbável.

- Dr. Farias olhava o empregado cheio de admiração e orgulho, crendo que o mesmo havia deixado uma boa impressão de pessoa culta, trabalhadora e progressista, frente aos presentes.

- Ele é assim mesmo, imperturbável como uma montanha, falava em tom de orgulho, como se falasse de um filho.

Rapidamente os empregados da sala retiraram a grande mesa, limparam tudo... foram dispostas, então, outras mesas menores, na proporção do número de convidados. Ato seguido, preparada e acomodada a orquestra,

Soou a música.


XXXXXXXX


sábado, 5 de outubro de 2013

CIRURGIA DA COLUNA: HERNIA DE DISCO E CUIDADOS NO PÓS-OPERATÓRIO

A ALEGRIA DE UM HOMEM QUE ANDA...
Nesta luminosa manhã, levanto a taça transparente e brindo à saúde. Ato seguido, trago -no estilo atlético que prediquei por toda a minha vida - um gole gordo d’ água doce do Rio Acre: arcano que continuo, não concebo o derramamento das águas.
Mas, o meu objetivo principal desta missiva é de registrar uma cabível e grata historinha: no dia mais difícil da minha vida (sete semanas em cadeira de rodas, motivada por queda de altura, fora do meu estado de origem) recebi um telefonema inesperado de uma professora da Escola Dr. João Aguiar (eu trabalhei lá em 1993). De pronto, reconheci a Professora (representando aquela equipe de bons professores) pela voz e nome. Ela me notificou que tomara conhecimento do meu quadro clínico por terceiros e manifestou a disposição da Equipe à ajuda -  por várias formas, inclusive financeira. À queima-roupa, perguntou-me de quanto e do quê eu estava precisando.
Naturalmente e educadamente declinei da ajuda financeira... afinal, dinheiro de trabalhador é energia sagrada. Disse à Professora que noticiasse aos colegas professores da E.D.J.A. que minha pessoa mantinha– e estava me valendo - de uma certa quantia  guardada para os dias difíceis, mas que se acaso necessitasse de alguma coisa, retornaria através daquele número. Escrevo ainda emocionado com a nobreza do gesto.
Gostaria de registrar publicamente que aquela atitude da Equipe D.J.A. me valeu por milhões de dólares, não de coisas materiais, mas de ânimo. Eu não me lembrava mais daqueles amigos e - por dez anos - não lhes fiz visita, mas eles não me esqueceram. Fiquem certos, amigos de que, pelo gesto, ser-lhes-ei eternamente grato.
Deixo registrado aqui, para que Deus tome nota e escreva nos registros da natureza que as companheiras Rosângela Castro e Clarice Teixeira Maia, também, me contataram oferecendo ajuda, inclusive financeira. Registro indispensável é asseverar igualmente que, está última oferta, também foi – por minha pessoa - gentilmente dispensada.
Já o meu presidente, o Poeta e Escritor Mauro D’ Ávila Modesto me prestou grande apoio e ajuda, merecendo, no caso, um capítulo em separado.
O amigo Jornalista Luiz Eduardo Lages, filho do, também, meu amigo, o saudoso General Mário Luiz de Lima Lages, idealizador da Fundação dos Estudos do Mar - FEMAR no RJ, me prestou importante ajuda na viabilização, escolha e abertura do leque de possibilidades de atendimento médico especializado, inclusive junto a Equipe Médica do Jóquei Clube de São Paulo - SP.
Grande ajuda também recebi por parte da minha família e irmã Maria Josefa de Pontes (nome/homenagem a minha saudosa avó paterna) e seu esposo Antônio, residentes em Senador Canedo - GO.
Deixo registrado aqui a gratidão eterna a minha cunhada Prof.ª Leuda Pereira e ao meu cunhado Francisco Vitoriano Filho, ao Dante, a minha cunhada a Dra. Maria Lúcia Ugalde, meu sobrinho Dr. Nick Andrew Ugalde, pelas providências: da compra das passagens aéreas até a limpeza da casa no meu retorno.
Tenho ainda que agradecer a um certo “anjo” chamado Rômulo Araújo - que alimentou os meus cães e cuidou da higiene da casa por este período difícil de cinco semanas, sem esquecer as minhas companheiras da Equipe pedagógica da SEE/AC: Prof.ª Glícia Conde, Prof.ª Cilene Gonçalves, Prof.ª Quinha Bezerra, Prof.ª. Lúcia Torres, Prof.ª Lurdes Pereira pela ajuda junto  a Unimed a fim de que esta se dignasse, embora tardiamente, a considerar a urgência da minha cirurgia.
Agradeço também o apoio da minha Coordenadora a Prof.ª Eliana Kusdra e dos meus Diretores - Prof. Valmir Nicácio e Geralda D’ Ávila, pelos telefonemas de apoio e por todas as providências que necessitaram tomar para ratificar o meu afastamento das atividades docentes; além dos Professores - Eudes Moura, Uilandia Mendonça, Gládis Assaf, Francisco Bandeira, João de Souza Lima; além das exemplares companheiras: Regina Teixeira e Jardilina Chaves.
Peço desculpas por não conseguir nominar a tantos nomes que, aqui, guardo na mente: desde o meu bom companheiro, o Historiador Assis Costa até o Delegado Regional do Trabalho no Acre, o meu irmão e Dr. Pedro Netto.
É imperativo e categórico registrar ainda os meus agradecimentos a pessoa do Juíz de Direito Levine Artiaga, Membro da Presidência da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás, pela intervenção – em meu auxílio – junto a Unimed GO e o bom e ascendente nome do meu companheiro de armas, o Advogando Roney Reis (Aline, Angélica e Juliano) funcionário do TJ/GO, pelo apoio, mobilização e hospedágem em sua residência.
Por fim, agradeço a Deus e a perícia do Dr.  Carlos Roberto Sampaio de Assis Drummond, Fundador do Instituto Drumond e Chefe da Equipe Médica do HGO, por através das suas competente equipe (Mayra, Tálita, Dr. Daniel...) e das suas mãos divinas ter me tirado da cadeira de rodas, um dia após milagrosa cirurgia realizada no Hospital Santa Helena, em Goiânia-GO.
Peço perdão as pessoas com mérito que aqui não agradeci. Os erros e a lógica do texto denunciam que este escriba ainda está em fase de recuperação, mas fiquem certos de que gratidão eterna lhes guardo empenhada.
Finalizo agradecendo a minha dileta e inseparável Esposa Maria do Socorro de Pontes que foi - naqueles dias aziagos - meus pés, minhas mãos e meu abrigo certo das horas incertas.
Escrevi um soneto ontem, para ver se ainda sabia escrevê-los,  através de conversas - na linha - com o poeta e amigo baiano Claudio Godi e minha Confreira Dra. Luísa Galvão Lessa Karlberg. Vou deixá-lo aqui abaixo para vocês apreciarem, com meu abraço agradecido, de um homem que anda...
Att.
Prof. Renã Leite Pontes
Autor de Diálogos Anversos e Inconsciente Coletivo
Membro Fundador da Academia Acreana de Poetas (Cadeira N 06),  Rio Branco - AC
Membro Efetivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE (Balneário Camboriú - SC)
Membro Honorário do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais – InBrasCI (Rio de Janeiro - RJ)
Membro Vitalício da International Writers end Artists Associations - IWA, Toledo, Ohio, USA.
A Vida
___________________________________
Por Renã Leite Pontes
Vida, quem és senão sede animal,
carbono, movimento, cloro, amido...
o número de um verbo indefinido,
nervo guindado por hérnia discal?
Rasgo de sol fugaz e eucarionte,
extinto pela treva - à nona hora,
lume que brilha, “reina” e vai-se embora
sem mala e sem gibão, por trás do monte.
Quis, em vão, a reforma da saúde,
a proletária quis muito e amiúde,
desde menino cultuei ao Cristo
Pregando ao povo cheio de impotência,
com sede em frente ao mar. Oh, paciência!
na minha opinião a vida é isto.