domingo, 12 de outubro de 2014

ANÁFORA: UMA NOVA CONSTITUIÇÃO COMO PRESENTE ÀS CRIANÇAS DO BRASIL



"Antes, eu não tinha esta voz incisiva e veloz, eu prendia a lentidão da dor, do desespero".
 Renã Leite Pontes
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Escrevo este depoimento-carta pensando na Lis, uma menina linda, melhor, vibrante e cheia de vida, que bem merece herdar um mundo melhor das gerações que a precederam. No caso, de nós.
Neste dia dedicado as crianças, bem que o Brasil e os brasileiros mereciam uma nova Constituição (re)elaborada com a participação inteligente dos diversos segmentos da sociedade Brasileira. Nossa Constituição é da época da máquina de escrever. Estamos na era virtual, da Quântica e da Cibernética.
Não há como avançarmos para o patamar de uma NOVA POLÍTICA com LEIS ULTRAPASSADAS, velhos políticos suas práticas políticas antiquadas. 
Penso que devemos trocar as heráldicas frases "avançar no Brasil" pelo “alavancar o Brasil” (de alavanca) ou “guindar o Brasil” (verbo guindar [puxar para cima com guindaste]). Tal mudança é possível através do fomento de uma política pública simples e fluída nos trilhos da meritocracia. Debalde para a maioria, “avançar” no Brasil, já é prática consagrada pelo ritual da cleptomania. O que tem mudado é apenas as mandíbulas  e os estômagos, mas a abrasão é sempre a mesma no combalido corpo do nosso pobre país retalhado.
Avançar na política deveria partir do aproveitamento dos talentos desperdiçados da JUVENTUDE BRASILEIRA (do talento musical, da força esportiva, da beleza e flexibilidade da dança, das inclinações criativas para a ciência, das vocações e inteligências tantíssimas, nos termos do pensador norte-americano Howard Gardner, o pai da Teoria das Inteligências Múltiplas); HOJE, INFELIZMENTE, ENTREGUE ao sacrifício de professores provisórios - sem direitos trabalhistas,  trabalhando o dobro e ganhando a metade. Vale ressaltar, que no campo da qualificação, segundo levantamento das Associações de Professores, há estado que não tem dez professores com qualificação de Mestrado nos quadros das suas Secretarias de Educação. Já na Finlândia, a Lei reza que o professor para trabalhar com crianças e jovens deve entrar no serviço público com qualificação em nível de doutorado.
Não tem como o Brasil suportar mais o prejuízo financeiro, moral e social que causam estas pessoas - sem um projeto pessoal de vida - eternamente agregadas ao serviço público, em secretarias e ministérios criados, muitas vezes, apenas para acomodá-las nos cargos comissionados.
Isto é uma vergonha, caso de polícia e crime de responsabilidade em cadeia, uma vez que, notadamente, a principal atribuição destes comissionados é defender ferozmente seu "PAR-TIDO" político e seus líderes culpáveis, propagando o “tratamento falso e bajulador dos gabinetes”. É exatamente neste tipo de reação que o político “infla o ego” perdendo completamente a noção de relação social e de Estado - este último, considerado por ele um bem relativizado à propriedade grupal ou familiar.
Alavancar a política é possível através da CLÁUSULA DIAMANTINA PROIBITIVA DA REELEIÇÃO. No Brasil, a reeleição  eterniza  a política brasileira como  uma "PROFISSÃO VAMPIRA" que passa vergonhosamente e inescrupulosamente de pai para filho, em prejuízo da Nação e suas localidades.
Avançar na política deveria ser pela redução da carga tributária que faz o brasileiro pagar 70 mil reais por um "carro pelado", sabendo que, convertido em automóvel,  o mesmo bem é vendido a quarenta por cento do preço em uma concessionária mexicana ou americana. O que dizer do preço da gasolina em Foz do Breu - Acre, que custa 5, 6 reais, dinheiro que será desviado lá na ponta pela corrupção da PETROBRAS?
A política brasileira avançada deveria servir para  proteger nossas crianças de serem instruídas, a exemplo, por um professor de Geografia que trabalha no Centro-Oeste brasileiro, mas que - devido aos baixos salários, espoliação bancária e arrocho inflacionário - não conhece o mar.
Vamos começar a igualdade no Brasil pela modificação do O art. 45 da Constituição Federal efetivando a redução do número de deputados federais - de 513 para apenas 81 cadeiras (o mesmo número de senadores que hoje temos). O exercício executivo e  parlamentar não pode continuar mais sendo profissão que aposenta.
Além das nossas CRIANÇAS, que bem merecem hoje um BOM DIA!... o que dizer da área da saúde atual, da segurança pessoal da pessoa comum, da economia do trabalhador, da qualidade de vida para os idosos no Brasil?... Vamos pensar no Brasil enquanto é tempo, partindo do bom exemplo, boa educação e solidez do sentimento de pertinência a nação brasileira... A juventude reclama por uma oportunidade e lugar ao sol.

Desejo um feliz 12 de outubro, com futuro, à Lis e demais crianças do Brasil.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

QUINARI 2























Entre dois morros Deus pôs incrustado
Pequeno vilarejo natalício
De paus a pique, todo empoeirado,
Diria o vulgo: para o mal propício!

Mas, ali foi o berço educativo
Dos que não dobram a espinha cervical;
Filhos dóceis; do afeto natural
Que engendrou cidadãos de idôneo crivo.

Estupro, droga, roubo, piriguetes.
Até me emancipar, é certo e vero,
Jamais ouvi falar estes verbetes.

Vimos nos livros a prometida terra.
Nossos heróis - exagerar não quero -
Domaram a honra que o trabalho encerra.



Por Renã do Quinari

domingo, 14 de setembro de 2014

A FIGUEIRA

Por Renã Leite Pontes
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Herdei a robusta figueira imponente
do meu bisavô num ranchinho vetusto
de barro batido, onde um dia, ao poente,
brotara da terra em forma de arbusto.

Alçara-se aos céus com seus galhos gigantes,
por cima das matas abrindo-se inteira
porém numa tarde de ventos uivantes
tombou serra abaixo a grande figueira.

Descendo ao terreiro batido que herdei:
montanha de pedras - que a fundo encontrei -
mantinha as raízes no raso da terra.

Igual... as pessoas egóicas, menores.
“Vistosas de casca”, porém sem valores,
serão vitimadas em sua própria “guerra”.


sábado, 13 de setembro de 2014


IMORTAL?
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Por Renã Leite Pontes
Do Livro “Diálogos Anversos”, 1990.

Tétis, a mãe de Aquiles, a quem quis
imortal, além do bem e do Hades,
tentando iludir certas verdades:
quem faz a guerra não será feliz!

Por que destes ao grego o cetro, a lança
sabendo que ele só matar sabia?
banhastes o guerreiro aquele dia,
de sorte e morte e triste aventurança.

Quem tomba de um só golpe em tenra idade,
em dura briga por mulher alheia,
decerto imortaliza a vaidade,

Sepulta os sonhos bons da puberdade.
por fincar alicerces em chão de areia;
merecerá não mais que piedade.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

FALECE NATHAN DE CASTRO AOS 60 ANOS

* 23.01.1954
  † 09.09.2014 



REVERÊNCIA AO ESTRO NATHAN DE CASTRO
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Por Renã Leite Pontes

Parte Nathan, o Vate, de acidente
no nove do mês nove, quem diria,
um fim tão breve a  um jovem tão prudente
e dedicado a casta poesia.

Vendo a palavra lusa empobrecida,
o sol negou-se a iluminar as ruas,
o termo lida não rimou com vida,
como evidência das verdades cruas.

Todos vamos - na safra e tempo certo -
mesmo o Estro Nathan, um experto,
foi aguardar-nos bem fronte a aquarela.

Poeta quando morre vira um verso
da poesia viva do universo:
poeta quando morre vira estrela.



Jacó e Raquel

SETE ANOS DE PASTOR 
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Por Renã Leite Pontes
Paráfrase de soneto de Camões

Sete anos de pastor Jacó servia
qual filho dedicado de Abraão;
querendo a bela filha da sua tia
e, por amar Raquel, não disse: não!

Dois, sete anos, passou, chegou o dia.
Jacó foi ver Raquel e, ao recebê-la,
de pronto percebeu, não era ela
que o pai, fazendo logro, não daria.

Mas como o bom pastor bom filho fora
de Isaque, o Grande, com uma pastora
caiu do céu a ajuda merecida.

Conforme Deus nos outros sete anos
não houve margem para mais enganos:
quem não sofre no amor não goza a vida.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

TRIBUTO A FÊNIX RENASCIDA


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Por Renã Leite Pontes

Belíssima avezinha alma-do-prado.
muitos poemas por ti sepultei
no campo da esperança do empregado
tripudiado por um falso rei.

Por nosso amor a Deus e a boa Lei,
com sacrifícios ante a covardia,
pelas virtudes eu nos condenei
à pena capital naquele dia.

Mas, fênix das cinzas renascida,
depois que foste de morte ferida
e em cinzas de carbono transmutada

Soubeste do tributo que o favor
reclama... um voto em desagravo à dor
da ferida na calma da escalada.




O SUSTO
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 Por Renã Leite Pontes

Eu gostaria de dar ao público uma poesia realística e bonita...
Nos primórdios da vida, eu cria que os poemas vinham das montanhas:
As vozes dos ventos furiosos que desciam das Cordilheiras dos Andes duelando em dias de tempestade,
O primeiro poema humano que avistei foi de Augusto.
Quem sabe devido ao susto que tomei quando li seus versos pela primeira vez,
Tornei-me um poeta:
Ele dizia que era uma sombra, igual a mim, que vinha de outras eras, que nem eu,
Do cosmopolitismo das moneras e que era um verme, do jeitinho que eu me sentia:
Um vírus em um planeta de luxo!
O fato é que, pelo poema - sem saber como - desejei ardentemente deixar de ser verme.
Foi aí que me dei conta de que a poesia transforma vidas.
Muitos anos se passaram. Represei poesia, mas escrevi poemas que viraram livros.
Até que conheci Terezinka Pereira, uma brasileira que mora bem longe:
Mostrou-me, um copo de vidro translúcido, em forma de poema,
Meio de água cristalina, em forma de letras. Pura poesia realística e transparente,
Imaculada e a salvo do alcance da corrupção da forma e do estilo.
Seu vaso-poema traduziu-me a maldade da guerra e a sede da paz; a necessidade da esperança e o desejo do belo.
Eu não sabia que era possível escrever assim com tamanha realidade
Para mim, a poesia servia para negar a realidade e não para retratá-la:
Meu poema, querida, é meu ópio à vida...
E o segundo susto tomei depois que me assustou o Augusto.
Eu pensava, também, que a poesia só assustava a gente, uma vez.






sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O ABSURDO POÉTICO DE RENÃ LEITE PONTES, IWA



Análise sob olhar da apreciação científica do livro acreano "Diálogos (An) Versos" do poeta Renã Leite Pontes.

International Writers and Artists Association - IWA

Por Terezinka Pereira, Pres, Toledo, OH - USA
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A imaginação mais do que tudo define para o leitor a poesia e a prosa do escritor do Acre Renã Leite Pontes. Desde o título do seu livro “Diálogos (An) Versos*” a ilustração da capa feita por Esdon Pergentino e Jorge Rivasplata, estamos diante de uma obra original ao próprio pé da palavra. Embora pareça tudo absurdo, tudo é muito significativo.
Os versos (seriam versos?) que abrem o livro dizem:

Dizem que a poesia
é barco furado ,
mas o poeta
quando tem uma fada,
vive de nada,
atravessa a nado.
(Recorte da poesia “Ainda que Seja Tarde” de Renã Leite Pontes)

Esse “Dizem” propõe autor anônimo para não aparentar autoridade, mas a rima bem controlada é a marca do poeta, que se disfarça por modéstia.  Eu conhecia uma citação ao contrário desta, e que me parece mais respeitosa para com a poesia. É a da Ilma Fontes, editora de O CAPITAL, que diz: “A poesia é o pau que boia quando a razão naufraga “. Isto é mais favorável à poesia.
Um dos textos mais destacáveis desse livro é o intitulado “A Morte do Poeta”, dedicado “às mães, cujos ouvidos não têm ouvido poesia...”. É a história de um poeta que na hora de morrer recitou uns versos para a sua mãe morta. O narrador, que assistia isso, ao ver a morte já pronta para agarrar mais uma vítima, confessa:

Na ocasião, atônito, fiquei pensando: - a desapiedada está achando que estas moribundas palavras de ode e anseio poético são dirigidas para ela... (p. 213).

A figura da morte de maneira tradicional, com a sua “enorme ferramenta” mortífera , parando para ouvir os versos é muito poderosa, causando emoção em qualquer leitor. O narrador, por sua vez se propõe a criticar a estrutura do poema que recita o poeta moribundo, termina por considerá-lo “belíssimo”. E o final do conto, outra surpresa: o poeta morreu voluntariamente, antes que a morte o matasse!
O absurdo compartilha bem seus pontos com a imaginação , que na maior parte das vezes domina o espírito criador da prosa de ficção e da poesia. O autor de “Diálogos (An) Versos” não desmente isso. Em sua criação literária o delírio ultrapassa toda a razão.
Entretanto há algumas tentativas de realidade, como em outro texto intitulado “Só Deus Contabiliza”, também sobre a morte , que começa com este comentário:

São gravíssimas as piedades macabras das pessoas , para com quem lhes deu a vida e agora já estão nas últimas voltas do “caracol da existência”...

E poucas linhas abaixo explica a razão desse comentário:

Quando os pais estão velhos, quase todos os filhos ficam pedindo a Deu (baixinho e em pensamentos) para que seus pais morram logo e parem de dar trabalho. Pasmem! (p. 147).

Embora a rima na poesia provoque ainda mais o absurdo que o explique, vamos encontrar nos versos do poema “Vai!” um pouco de explicação do ser do poeta , de sua personalidade e até certo ponto de sua obsessão pela morte.

Se queres me encontrar
Não me procures
Onde haja aglomerações

Antes, busca-me onde haja dores
E contumazes dilacerações.

Se te chegar a hora fatigada
E tomes-me por louco ou absorto.
Deixa-me! Sorrir não mais pretendo!

Porque depois daquela madrugada,
Em cada pai que existe eu vejo um morto.
Uma sombra que ri e vai... morrendo.
(p. 71)

Deve ser por isso que o escrito colombiano Gabriel García Márquez dizia: “Cedo ou tarde, a realidade termina por dar a razão à imaginação.” Mas a estrutura formal dos versos de Renã Leite Pontes, mostra que ele tem a predileção pela poesia metrificada, imitando a clássica. Ele declara na orelha do livro: “Eu nasci estudante porque sempre gostei dos livros... e admiro o conhecimento (...) escrevi a coletânea de poemas e prosa poética que constam neste livro, que é fruto da dedicação que tenho dispensado à literatura e a Poesia.”.






*Pontes, Renã Leite: Diálogos (An) Versos. Belém: Paka-Tatu Editora, 2010.