sábado, 12 de setembro de 2015

DISCURSO DE RENÃ LEITE PONTES* POR OCASIÃO DE “1 DE SETEMBRO” - DIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA/2015


DISCURSO SOLICITADO AO PROFESSOR RENÃ LEITE PONTES* PELA PRESIDÊNCIA DO CREF 8, PARA SER PROFERIDO NO PLENÁRIO DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ACRE, POR OCASIÃO DE “1 DE SETEMBRO” - DIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA/2015

Antes de iniciar uma abordagem mais específica a respeito da data alusiva ao “1º de Setembro - Dia do Profissional de Educação Física”, aproveito o espaço privilegiado desta Casa legislativa, para contribuir com uma reflexão a respeito da importância da nossa profissão para a solução dos problemas sociais que nos afligem na contemporaneidade: problemas de saúde, desemprego, insegurança, meio ambiente, fome, guerras... ou seja, o cenário de profunda crise pela qual passa a humanidade, posto que o Profissional de Educação Física trabalha com o substrato cinestésico dos corpos humanos (e seus saberes históricos) que manifestam sua existência através da vontade, pensamento, sentimento, cultura, enfim,  manifestações comuns  aos ramos de atuação humana, que não prescindem da nossa voz em qualquer diagnóstico social multidisciplinar.
Como imperativo, nosso campo de atuação foi (e é) valorizado pelos gênios da humanidade das áureas sociedades democráticas da história, não havendo, portanto, margem para redutibilidade da nossa contribuição; ao contrário, nosso campo de atuação foi, e continua sendo, um complexo-delicado, isso assumimos, que apesar da sua aparente neutralidade, retroalimenta-se da ideia de conjuntura política e inter-relação, de modo que, sem a nossa interferência - de área privilegiada e estratégica - todo o arcabouço do estudo das causas dos problemas sociais (imperativo para a solução destes) seria prejudicado, em especialmente no que diz respeito aos procedimentos e ato construtivo.
Minhas senhoras, meus senhores,
Estamos passando, na história da humanidade, por um momento de relatividade caracterizado pela desvalorização da pessoa que nasce e apresenta sua força, inteligência e juventude à sua localidade. Parece que para o mercado de trabalho global, do oriente ao ocidente, melhor seria que a humanidade estagnasse e que não nascesse mais gente. Talvez assim fosse possível - creem alguns intuitivos - juncar a marcha triunfal da fome mundial ocasionada pelo desemprego, esta chaga aberta que tem suas raízes nos humores de líderes que, ao invés de aproveitar os talentos físicos e mentais da juventude, a maior riqueza de uma nação, preferem faltar para com o dever, omitindo-se, e aumentar a fenda abissal existente entre os que têm demais e estoutras pobres vítimas indefesas dos desvios públicos, da insegurança, da pobreza, da fome, guerra e dor.
Causa-nos tristeza ver  como muitas pessoas que chegaram primeiro e aferraram-se a uma suposta “estabilidade econômica” (ou estabilidade no emprego), são incapazes de sensibilizarem-se, por exemplo, com a causa dos professores que iniciam uma carreira em regime de “contrato temporário”, forma mesquinha de “emprego” (a preferida dos governos mais recentes) que  avança na contra mão da via da dignidade, autonomia e valorização do trabalhador que elegeu desempenhar-se - quase sempre por vocação - na profissão formadora de todas as demais.  Para aqueles  que se sentem muito estáveis economicamente -  tão indiferentes e alheios ao problema - eu indicaria a leitura do clássico  “Guerra e Paz” de León Tolstói. Ali testemunharemos, na história, como as mudanças sociais fazem império virar ruína, barão vira pedinte, general virar coitado e príncipe vira sapo. Eu mesmo agradeço a Deus por não ser um jovem desempregado, em busca de um lugar ao sol, neste mundo de hoje.
Porque nestes momentos em que aqui estamos reunidos, do Acre à França, Alemanha, Reino Unido... move-se uma onda migratória de fugitivos da pobreza, que são, em verdade, refugiados da fome e da falta de estruturação política e soberania popular nos seus locais de origem. Disseram-nos que esta “diáspora do desespero” deriva das catástrofes ambientais que começaram a mudar o cenário mundial a partir de 2004. De fato, as catástrofes ambientais sempre existiram, mas nada comparado com o famigerado “Tsunami da Indonésia”, tão violento que moveu os polos magnéticos da Terra, deixando no seu rastro 170.000 mortos; em 2010, aqui perto de nós, ocorreu o singularíssimo “Terremoto do Haiti”, que deixou atrás de si a assombrosa cifra de 200 mil mortos, incluindo militares brasileiros em missão e a nossa altaneira médica ativista Zilda Arns.
Também testemunhamos, em 2011, o “Tsunami do Japão”, cujas ondas gigantes, causaram um tremor de 9 graus na escala Richter, danificando seriamente a Usina nuclear de Fukushima e matando instantaneamente milhares de pessoas.
Conforme ilustramos, os problemas sociais estão postos como grandes questões que dizem respeito a toda a sociedade. E, nós, profissionais de educação física estamos prontos a contribuir através dos saberes tradicionais da ciência e arte que herdamos e representamos com justificada altivez. Porque construímos nossa história trabalhando fisicamente pelo bem do nosso país; somos investigadores da educação física, cientistas, empresários e professores de academias GYM que orientam os beneficiários dos exercícios físicos; somos professores que educam uma verdadeira legião de alunos espalhados por milhares de escolas (e universidades) do Brasil; somos técnicos em reabilitação cardíaca e orientadores físicos de milhares de pessoas em idade geriátrica; somos treinadores olímpicos e representamos a força e espírito altaneiro da grande nação brasileira, enfim; somos treinadores de estratégia militar, trabalhando pela segurança dos brasileiros e soberania nacional; somos treinadores esportivos respeitados e com salário mensal - quando atuamos nos grandes clubes - que atinge o montante de até R$500 mil mensal .
Por uma simples questão de fé e valorização dos bons exemplos das pessoas realizadoras, “noblesse oblige” (a nobreza obriga), declaramos, em nome do otimismo, da coragem e da experiência que todo problema tem solução. Tomemos este exemplo histórico dos habitantes da antiga Uruk e Nipur (região da antiga Mesopotâmia), e mesmo aquele outro dos construtores da capital asteca de Tenochtitlán (primeira cidade do mundo a abrigar um milhão de habitantes). Nos primórdios da história estas localidades não eram, a exemplos de outras regiões baixas e entre rios, indicadas para a habitação, por tratarem-se de áreas alagadiças. Bastou que se reunissem alguns sábios e logo, aproveitando a força da coluna vertebral humana, braços, pernas e da técnica dos tijolos de argila, edificações de muradas inexpugnáveis, templos, passadiços subterrâneos, criptas subterrâneas, dique, canais, piscinas, lindos palácios e outras maravilhas arquitetônicas, lindas cidades emuralhadas, começaram a brotar daqueles terrenos pantanosos, imitando a flor de lótus que nasce da lama.
Por tudo isto e por questão de reconhecimento, a sapiência telúrica fez questão de reverenciar a nossa área de saber, inclusive descobriremos este fato ao atentarmos para a própria etimologia do nome do filósofo Platão, considerado reformista e principal pensador da antiguidade clássica. De fato, honra-nos descobrir com alegria que o nome do autor de “Fédon”, “Banquete” e d’ “A República” é uma homenagem pública ou tributo à Educação Física, porque o termo Platão vem do grego “plato”, que quer dizer “espadaúdo” - aquele que tem ombros largos ou espáduas largas.
Com estampa, Platão foi um defensor da educação física, um fomentador da área, ao vivê-la na sua plenitude, inclusive como atleta e lutador, tendo competido e ganhado nos jogos Píticos, pelo menos em uma oportunidade, a “Coroa de Louros de Tempe”, na Tessália - mérito correspondente a medalha de ouro dos  nossos atuais Jogos Olímpicos.
Segundo especula-se, a “Akademus” (academia), escola criada por Platão em 387 a.C teve vida longa devido, também, ao motivo de cumprir com àquele princípio basilar da mentalidade grega da época, traduzido na frase: "mens sana in corpore sano” (mente sadia em um corpo sadio). De fato, a vontade de Platão com relação a longevidade da sua escola deu certo e é invejável, porque a “Akademus” só foi fechada no império de Justiniano, no ano de 529 d.C., ou seja, quase um milênio depois.
Perpassando a ideia de aceitação universal, o postulado “mens sana in corpore sano” foi defendido pelos seguidores de Platão, incluindo seu destacado discípulo Aristóteles que é considerado o pai da Cinesiologia Moderna - ciência ou área de saber específica da educação física. Sedento de entender como a cobra nada, o pássaro voa e o homem corre, Aristóteles de Estagira dedicou-se a observar, experimentar e anotar o “De motu musculorum" (o motor muscular), utilizando o termo "mecânica" pela primeira vez e descrevendo o corpo humano como um mecanismo complexos de sistemas de alavancas.
Dizem antigas tradições grafadas em alfarrábios empoeirados do Egito, Grécia e Roma... que quando os deuses amaram as mulheres humanas, nasceram os myrmidons, titãs ou semideuses dotados de diversos dons relacionados a força sobre-humana , a beleza de Apolo e a sabedoria de Salomão. Não está demais observar que dois dos três dons divinos, que se adquire gratuitamente pelo nascimento, são físicos: a beleza e a inteligência, restando apenas um dom não físico: a inteligência, mas que está condicionada ao fator saúde.
Para finalizar gostaria de recordar a esta casa que a prática das modalidades esportivas, fortalecem o senso de coletividade, reforçam o senso ético, estimulam a busca pela perfeição e eliminação dos erros, fomentam o companheirismo, o senso de pertinência ao país e o amor ao esporte que se traduz na busca da saúde e disposição para uma vida equilibrada pelo domínio dos apetites e da alimentação saudável, em especialmente neste momento, quando o Supremo Tribunal Federal brasileiro julga processo de liberação do porte e consumo de pequenas quantidades de drogas.
POEMA
Para finalizar vou pedir licença para declamar aqui um pequeno poema, mas tão significativo que inspirou os trabalhos de Platão e Aristóteles e demais baluartes da educação física depois deles. Trata-se da Sátira X ,escrita no século VI a. C., pelo poeta romano Juvenal. Ei-la:

“Deve-se pedir a Deus em oração que a mente seja sã num corpo são.
Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte,
Que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza,
Que suporte qualquer tipo de labores,
Desconheça a ira, nada cobice e creia mais
Nos labores selvagens de Hércules do que
Nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.
E verás revelado a ti aquilo que podes dar a ti próprio;
Certamente, o único caminho para a boa vida passa pela virtude”.

Muito Obrigado!

*RENÃ LEITE PONTES

Professor de Educação Física, Presidente da Academia dos Poetas Acreanos, Membro da Academia Acreana de Letras, Membro da International Writers and Artists Association - IWA.

domingo, 5 de abril de 2015

PASSOS PARA UM TRABALHO CIENTÍFICO

SEGUNDO O PROF. RENÃ LEITE PONTES, IWA,  MEMBRO DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS

1. INTRODUÇÃO
O autor deve dizer a seus leitores como veio a se envolver com o assunto, em que circunstância o mesmo o cativou e qual importância do mesmo para o autor, comunidade acadêmica e sociedade em geral. A relevância do trabalho deve abranger diversos aspectos, como: filosófico, político, econômico, científico, etc.
Ex.: percebemos que na contabilidade não há estudos sobre a relação social entre o contador e o pagador de tributos (contribuinte), portanto, nosso interesse principal é, neste projeto, apontar rumos para estabelecimento de uma relação mais humanística[1] entre tributador e contribuinte.
2- Percebemos que no ambiente extra-hospitalar circulam pacientes com escalpe exposto e que não há estudo sobre as implicações desta atitude para a saúde da comunidade hospitalar, portanto nosso interesse principal neste projeto é identificar as possibilidades de contaminação do ponto de vista da microbiologia.

2. REVISÃO DA LITERATURA
É a tarefa que precede, acompanha e segue as demais tarefas de elaboração do projeto de pesquisa. Temos que definir o problema para adequar as hipóteses, para elaborar os instrumentos de pesquisa, para categorizar e analisar os resultados, para interpretá-los, apresentar sugestões e concluir.
Obs.: deve-se consultar fontes idôneas e autores idôneos sobre o tema em questão.

3. TEMA, TÍTULO OU ASSUNTO
Deve-se preferir a formulação mais sucinta possível, de modo que o tema possa ser retido de memória, representando uma referência prática para a identificação da pesquisa.

São exemplos:
a)     Avaliação em Educação Física Escolar: perspectiva do educando.
b)    Formação política do professor de História.
c)     A influência do pensamento do Dr. Adib Jatene na saúde brasileira.
d)    O discurso das ciências humanas na universidade Federal do Acre.

4. PROBLEMA
A forma mais simples de apresentar o problema é sob a forma da pergunta direta, direcionando o questionamento para aquilo que se quer investigar, identificando os itens que queremos explorar, desvendar e conhecer.
         Exemplos:
a)     Qual é o nível de comprometimento profissional que o enfermeiro/médico/bioquímico revela em sua prática de saúde?
b)    Qual é o tipo de formação política do enfermeiro da Universidade Federal de Sergipe?
c)     O que, em sua opinião, distingue o projeto acadêmico da Universidade de São Paulo das instituições similares?
d)      Qual sua avaliação sobre o seu desempenho pessoal como professor da Universidade de São Paulo?
e)     Quais as suas perspectivas na sua Universidade para os próximos cinco anos?
f)      Quais as perspectivas do seu setor para os próximos cinco anos?
g)     Quais são os entraves que as políticas mais recentes de governo impõem ao seu crescimento e desempenho profissional ?
h)    Quais as facilidades e os estímulos que seu empregador oferece ao seu crescimento profissional e atendimento ao público?

É comum começarmos uma pesquisa sem muita certeza do problema principal, porque não temos bem claro o que queremos. Isso é natural, sobretudo no campo da investigação pioneira em que não há pesquisa disponível em bibliografias anteriores.
Os problemas vão ajustando-se progressivamente a realidade e dinâmica da pesquisa, pois só passamos a ver mais claramente o que pesquisamos à medida que nos envolvemos com o trabalho prático e a revisão da literatura.
Às vezes o pesquisador tem a sensação que o projeto se descaracteriza a medida que se avança na investigação, gerando confusão. Isso não é verdade, o que ocorre, na realidade, é apenas o reordenamento das prioridades, abordagens e ideias relacionadas com o tema defendido.

5. HIPÓTESE
A hipótese é uma primeira resposta nossa, provisória, para cada problema formulado. Neste sentido as hipóteses são um Guia de Pesquisa que servem para detalhar e explicar as questões formuladas.
Há circunstâncias em que um projeto de pesquisa pode ser totalmente formulado sem conter hipóteses.
Isso pode ocorrer com um tema pouco estudado, para o qual não conhecemos literatura ou nossa vivência é insuficiente para nos permitir formular explicações ou respostas. Nestes casos, nossas hipóteses serão como perguntas de crianças, no sentido de que perguntamos algo porque queremos saber as respostas, por desconhecê-las.
Uma hipótese deve ser lógica e testável por qualquer pessoa que queira confirmar nossas descobertas.

6. VARIÁVEIS
As variáveis são necessárias quando se trabalha com população e amostra. Tem uma estreita relação com as hipóteses. É muito comum as hipóteses apresentarem variáveis, podendo ter uma hipótese duas ou mais variantes.
Por exemplo, podemos ter a hipótese que relaciona a variável sexo com o desempenho dos falantes em relação à norma linguística culta.
Neste caso, observamos que a variável sexo tem duas variantes, masculino e feminino. E que as mulheres estão mais próximas da norma culta do que os homens em termo de comportamento verbal.
Obs.: A vantagem feminina relativamente à fala se dá devido à predisposição de estruturas cerebrais.
Uma tese pode ter as seguintes características:
Todos os testados são seminaristas, estudam as mesmas coisas, comem a mesma comida, dormem na mesma hora, habitam no mesmo lugar, têm o mesmo estilo de vida etc, portanto, aqui não necessitamos de variáveis, mas de constantes.
Existe o caso em que o pesquisador procura intencionalmente um grupo amostral mais homogêneo, objetivando eliminar as variáveis.
Outro exemplo em que as variáveis são descartadas: todos os professores são mestres docentes do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Acre, e o sexo (intelectualmente) não vamos levá-lo em consideração. Neste caso, também, não se trabalha com variáveis, mas com constantes.
As variáveis mais comuns são: a variável binária e variável eneária.

7. OBJETIVOS
O objetivo de uma pesquisa é sempre verificar o valor da hipótese formulada como resposta provisória ao problema.
No caso de projeto formulado sem hipótese o objetivo é responder as questões formuladas como problemas.
São exemplos de objetivos:
a)     Qual a influencia do pensamento de Philippe Perrenoud e Edgar Morin para a educação brasileira.
b)    Quais as dificuldades, oportunidades e estímulos oferecidos ao profissional de saúde da rede estadual de saúde do estado do Acre.
c)     Saber como os alunos de Biomedicina gostariam de ser avaliados nesta cátedra, ou seja, qual a perspectiva do aluno com relação à avaliação em Biomedicina.
d)    Qual a visão[2] que o professor da rede estadual de ensino do estado do Acre tem da Instituição SEE no governo Tião Viana em 2015.

OBS.: Cada item corresponde a um trabalho diferente.

Além do objetivo geral, podemos ter vários desdobramentos deste, como objetivos parciais mais específicos, todos voltados para o conhecimento da nossa realidade.

8. METODOLOGIA
Diz respeito a como que se vai direcionar o estudo implementado.
A metodologia dará noções de como o trabalho foi realizado e quais os passos, recursos, pessoas, regulamentações, estratégias, materiais, utilizados para tornar exequível o projeto.
Uma preocupação deve estar presente em todos os passos da investigação, é traduzir as relações em uma atitude de respeito para com os saberes daqueles que lhes prestarão informações.
         Assim deve-se:
-         Procurar evitar preconceitos nas delimitações dos problemas;
-         Na definição da população e do grupo amostral, respeitarmos a autonomia dos indivíduos e dos grupos;
-         Nos pautarmos por variáveis que sejam identificáveis, sem constrangimento para os informantes;
-         Permitir ao informante liberdade em discorrer sobre os tópicos que concordou em abordar;
-         Ser fiel a formulação discursiva do informante, evitando qualquer tipo de desvios.
-         Só emitirmos opinião, no quadro da corrente teórica que adotamos;
-         Tentarmos captar o vivido tal como ele é vivido, sob a ótica e condições de quem o vivencia.

9. POPULAÇÀO E AMOSTRA
A população alvo em cada projeto de pesquisa, consiste no universo de indivíduos que pertencem a categoria relacionada ao trabalho-pesquisa que pretendemos empreender. Indivíduos que possam dar repostas fidedignas àquilo que se pretende testar com o projeto.
Na prática, essa população é apenas um ponto de referência para garantir a homogeneidade dos informantes. Não se deve trabalhar abrangendo um universo todo, heterogêneo e sim apenas com uma amostra ou grupo amostral do mesmo grupo, selecionado de forma aleatória (randômica) ou intencional.
Ex1.: No Projeto Comprometimento Pedagógico a população constitui-se de 15 professores de Educação Física do primeiro grau das escolas públicas de Rio Branco - AC, que atuam na mesma área geográfica e pertencem ao mesmo distrito educacional.
2- No “Programa Mais Médicos do Governo Federal”, a população médica é formada quase em sua totalidade por médicos estrangeiros que não falam ou mal falam o Português. Esta é uma particularidade importante, portanto, quais as implicações e dificuldades para pacientes que têm tratamento dispensados por médicos com diferenças culturais  e idiomáticas tão gritantes.

10-INSTRUMENTOS
Os instrumentos mais comuns na área das ciências humanas são a entrevista e o questionário, além da escala e o formulário. O formulário é uma lista de itens ou critérios para observação sistemática, já a escala aproxima-se muito dos testes de múltipla escolha, com várias alternativas para testar o valor-verdade de afirmações relativamente polemicas, do tipo: (concordo, discordo, concordo parcialmente, discordo parcialmente, não tenho opinião).
No entanto, o instrumento por excelência é a ENTREVISTA, tanto a de elite, como a entrevista guiada, que segue acompanhada da observação sistemática.
A entrevista de elite é uma entrevista  que resume-se a poucas questões,  dirigidas a uma pessoa especialista ou autoridade reconhecida para que discorra sobre um assunto que o pesquisador está investigando, canalizando o que se quer da entrevista para chegar se ao aumento da confiabilidade dos dados.
Ex.: de entrevista guiada na área médica.
Seção A: historia de vida:
1-    Onde e quando você se graduou?
2-    Que motivo levou você a estudar medicina?
Seção B: concepções:
1-    Na sua opinião,  o que é ideologia?
2-    Na sua opinião, o que é educação?
3-    Na sua opinião, o que é medicina?
4-    Na sua opinião, qual o objeto da medicina?
5-    Na sua opinião, quais as prioridades na formação do profissional médico?


11-COLETA-PILOTO
Representa uma oportunidade para testar o projeto como um todo, inclusive a qualidade da gravação, a adequação do local de coleta e o desempenho do entrevistador.
Toda entrevista deve ser gravada com gravador à vista do informante (embora o gravador tire a naturalidade da fala) e com seu consentimento explícito para que sua fala seja gravada. Gravar facilita tanto a confiabilidade dos dados, quanto o respeito a interação verbal que se estabelece entre os interlocutores. Também por razões éticas garante-se e cumpre-se a promessa do anonimato do informante.
Sempre é bom mostrar a entrevista gravada previamente para uma pessoa ou pessoas mais experientes na nossa área. Às vezes, o que para nós está claro, pode soar confuso para outros. Havendo ambiguidades, a amostra real vai necessitar de reformas.

12-TRANSCRIÇÃO
A fidelidade do texto do informante impede-nos de editar, aprimorar ou “corrigir” aquilo que o informante disse.
A função principal da transcrição é tornar os materiais organizados e disponíveis para analise e categorização. Dado que nosso foco de interesse é o conteúdo semântico do discurso, não necessitamos deter-nos em detalhes fonéticos, do tipo, presença ou ausência de vibrante final ou outros fonemas do tipo, supressão ou acréscimo de semivogais etc.

13-CONCLUSÕES
É espaço próprio para considerações, nem sempre conclusivas, sobre a validação da hipótese, bem como sobre o conteúdo das respostas encontradas para o conteúdo que motivou a pesquisa. As conclusões são sempre provisórias, porque nunca comprovamos uma hipótese de forma definitiva, sempre ficamos na dependência de novas pesquisas, que venham ratificar, retificar ou desautorizar aquilo que investigamos.

14- SUGESTÕES
É muito comum aparecerem em alguns trabalhos, algumas considerações de caráter sugestivo, ao final das conclusões. É também comum aparecer o título final CONCLUSÕES E SUGESTÕES.
Sugestões não é um item obrigatório, mesmo porque há pesquisas que privilegiam o ato de CONHECER SEM IMPLICAÇÃO NECESSÁRIA DE INTERFERIR NO MEIO.
Por outro lado, as finalidades últimas das pesquisas de orientação participativa são aumentar o conhecimento da realidade e, de alguma forma, interferir nesta realidade e modificá-la para melhor (também se modifica para pior) a partir do conhecimento adquirido.

15- CRONOGRAMA
Deve ser elaborado mesmo antes da revisão da literatura. É ele que vai dimensionar o nosso tempo e fornecer elementos se estamos cumprindo ou não as etapas que nós mesmos impusemos ao nosso trabalho. Deve-se ser muito cuidadoso e sincero ao se elaborar o cronograma, para que não se trabalhe ora estressados, ora com tempo de sobra. O cumprimento do cronograma estabelecido é o indicativo preciso de que nosso trabalho está fluindo bem.
Exemplo.:


Nº DA ETAPA
DESCRIÇÃO DAS ETAPAS
DE
ATÉ
01
Reunião com orientador para definição do tema
09.03.15
09.03.01
02
Visita a biblioteca da UFAC para levantamento de livros
10.03.01
10.03.15
03
Revisão da literatura e levantamento das hipóteses
11.03.15
22.04.15
04
Elaboração de itens e gravação da entrevista
23.04.15
25.04.15
05
Reunião com juiz para testar a entrevista 
26.04.15
27.04.15
06
Aplicação da entrevista para  professores do Colégio de Aplicação da UFAC
28.04.15
28.04.15
07
Tabulação dos dados da entrevista e tratamento estatístico
29.04.15
12.05.15
etc
etc
etc
etc







RECURSOS
Deve-se elencar o que necessitamos em termos humanos, materiais e financeiros, consultorias, assessorias, suporte técnico, material de expediente, despesas com viagens, aquisição de livros etc, dependendo do nosso tipo de pesquisa. Se a nossa pesquisa é uma simples monografia, então devemos listar apenas o que necessitamos.

      







[1] Humanismo – Doutrina e movimento dos humanistas da renascença que visavam formar o espírito humano pela cultura literária ou científica. Afirma que a verdade de um conhecimento se define a partir de que consiga fazer o que necessita ser feito, em benefício da humanidade.
[2] Representação 


sábado, 10 de janeiro de 2015

AMAR VOCÊ...

_________________________
Por Renã Leite Pontes

É desabar rendido ao teu abraço
Com frisson louco, em grave e agudo tom;
Encontrar céu e terra em teu regaço
Sem querer despertar de um sonho bom.

Gastar-me de te amar perdida a hora
Conter a mão tremente a tua falta
Não fazer planos, me perder no agora,
Esperar-te com ânsia à noite alta.

Amar-te em pelo é crer na eternidade
Por um segundo - de felicidade!
Inundar-te de amor porque é preciso

Ser água... e ao me ebulir de amor por dentro,
Ar que respiro, em teu amasso encontro,
O caminho mais curto ao paraíso.

A MORTE DA MÚSICA: APÓLOGO



Por Renã Leite Pontes, IWA
Amazônia Brasileira - Rio Branco - Acre - Brazil
Academia Acreana de Letras - AAL
http://comexcelenciaemeducacao.blogspot.com.br/
______________________________________________
Nascida da aglomeração espontânea das sete notas musicais, recém-chegada da Via Láctea, a Música se desdobrou para alegrar o mundo, cantando e encantando por quatro sofridas eras glaciais. À moda antiga e a custa de muita perseverança e dedicação, a afinada conseguiu realizar, mais tarde no tempo, seu maior sonho - compor para herdade sua “magum opus” (A Ópera da Nona Esfera). Sem direito a “pódio de chegada ou beijo de namorada”, a especialista fez tão grandes esforços para realização da grande obra, que exausta, adoeceu gravemente. Mesmo doente, ainda guardava com zelo o único bem que tomou para si ao longo de tantos séculos de dedicação ao trabalho e pretéritas oportunidades perdidas de enriquecimento lícito: a nota grave de um doce assobio que um menino magrinho lançara alegremente ao vento. Justo ela, que já havia cantado em tantos palácios reais e faustosos banquetes de senhoriais mansões. Justo ela, que um dia recebera convite de casamento - havendo declinado - do próprio bem ataviado Progresso Cultural, em pessoa.
Naqueles dias aziagos de doença grave, o mundo entristeceu, o ar tornou-se rarefeito e o vento parou seu movimento porque a mais querida de Alexandre III da Macedônia havia chegado ao clímax do seu desafino, então a harmoniosa foi amparada às pressas pela nota Sol e por sua mais dedicada filha, a nota Dó. Houve ânsia de salvação e esperança de cura...  Chegada a “hora sexta” da preferida de Ludwig Van Beethoven, alguns mamíferos caudados estavam de plantão médico e cobraram o justo e o injusto para preconizarem exercícios respiratórios e prescreverem determinadas ervinhas do mato curativas, que de nada adiantaram, até endividarem, além da música, a nota Sol e ainda a nota Dó, também. Apesar de toda a disposição ao tratamento, a cultuada por Francisco I, o Rei Salamandra, apenas sofria e piorava, à medida que o mal ganhava terreno.  Chamada a família à responsabilidade, a nota ré preferiu sair de ré; a nota mi fez o “(mí)nimo” possível; a nota lá foi-se para lá longe; a nota si só pensou em si e alegando falta de tempo disponível, ocupou-se apenas de seus eólicos problemas (como se as outras notas componentes estivessem a esbanjar tempo); já a nota fá, além de não “(fa)zer” nada em benefício da música, ainda compôs uma marchinha carnavalesca questionando a real perícia musical da paciente.
A música lutou muito para sobreviver, mas morreu asfixiada ao tentar entoar - para sustentar a alegria do mundo - uma nota dó maior, deixando órfãs e soltas ao vento as sete notas musicais. Por uns dias, com a morte da “inspiradora de Mozart”, o tempo  se entristeceu e a beleza mudou-se para o Porto de Istambul, então, tudo ficou parado até a “hora nona”. Foi então até que a Deusa do Amor desceu de Vênus para advertir ao tempo: Ora, veja bem, o tempo não para!
- Então eu continuo, mas que fique claro que vou ficar mais raro a cada dia, vocês vão ver! - respondeu baixinho, pausada e ameaçadoramente o tempo entristecido.
Depois disto, o silencioso continuou seu queixume pendular, embora raro, ele nunca mais parou.
Sequer havia passado o período de luto da Dama de sinfonia, a nota si foi até a Suprema Corte, alegando mil necessidades, para reclamar judicialmente, e em benefício próprio, sua parte na herança do único legado deixado pela finada - a nota grave do doce assobio que o menino magrinho lançara alegremente ao vento. A investida da nota si foi tão descabida e covarde, que a Deusa Têmis, cheia de vergonha, com a permissão de Urano, entregou sem qualquer questionamento ou julgamento de mérito, todo o espólio que a anêmica reclamava posse. Depois que a usurpadora retirou-se do Foro, fortuitamente, a Deusa Justa teceu o seguinte comentário com uma escrivã:
- Cá entre nós, quando eu quero que uma pessoa se enforque, dou bastante corda para ela!  
Em seguida, o caso foi passado para a Deusa da Vergonha. Esta, após ler os autos do processo akásico, abençoou a nota Dó e deu-a por herança bendita a todos os bons corações humanizados e, após bendizer a “mão piedosa”, fê-la subir em uma bolha de sabão para bem distante, transformando-a em um disco incandescente a iluminar a terra. Depois disto, a vergonha foi-se embora para uma montanha íngreme e erma. E, como consequência natural do isolamento voluntário da decorosa, desde aqueles dias, a vergonha fez-se ausente das grandes concentrações humanas.
A partir daí, as composições corridas passaram a ser compostas por pessoas e não mais pela aglomeração espontânea das notas musicais. E, como era noite, fazia frio, e a ausência do sol tornava tudo triste, um menino franzino - na busca pela esperança - rabiscou os primeiros versos de uma composição (que depois ganhou muitas vozes), em homenagem ao sacrifício imenso da Música que morreu lutando para alegrar o mundo:

Ah! Tristeza sem alegrias,
Vai falar pra ela
Aquilo que ontem à noite
Tu, chorando, me dizias.
Vai! Fala pra ela
Que de fato, um simples ato
De abandono
pode ser o fim de tudo,
Pode ser a gota d’água.
Ferdinanda?






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